Existe uma paz especial escondida em algum canto do dia que se levanta quando ouvimos uma voz, um sussurro, uma palavra risonha, uma música ou, simplesmente, um silêncio que vivia à mil léguas de distância de uma aproximação. Nesse momento, eu sinto – você sente? – que não careço de absolutamente nada. De nada que caiba dentro do meu armário, que não ocupe muito espaço na estante, ou, que não aperte demais os meus livros. Sinto, porque o meu coração bate. Porque a frase não termina. Nesse tempo de alma líquida e emoções tão livres, eu só preciso existir dentro da minha própria escolha. Dentro da nossa música. E, por um instante, explodo tantos lugares que ninguém desconfia o quanto estou perdida. Repleta de entradas e saídas. Estou ouvindo a paz que procurei em tantos risos e que encontrei aqui, no meu final de tarde enquanto a casa fica arrumada, enquanto o mundo lá fora é uma lembrança, enquanto arrumo os barulhos espalhados pela sala e respondo, com gratidão, todas as suas letras.
(A vida é um eterno não saber. De mim. De nada. Quando me encontro, pareço nova. Mas, no fundo, só estou me acostumando com esse novo vento. Comigo.)
Priscila Rôde




4 COMENTÁRIOS:
Amei teu texto. Amei teu falar.
Beijos doces daqui da lua.
Maya Quaresma
http://sobaluzdalua.blogspot.com/
Adorei flor
"Eu só preciso existir dentro da minha própria escolha"
é disso qeu eu estou precisando.
beijão
Que lindo! No fundo a gente descobre cada dia um pouco de nós. Um pouco de tudo. Assim, vamos evoluindo. Beijinhos.
"A vida é um eterno não saber."
Amei o texto, amiga!
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