Onde está essa falta?

O que significa escassez para você?
Outro dia fiz essa mesma pergunta em um dos meus atendimentos, e a resposta foi muito interessante:
"Escassez é ver o que está faltando."
É possível ver o que não está presente? Se está ausente, o que estou vendo realmente?
O que falta não está diante dos meus olhos físicos. O que os olhos físicos parecem perceber é apenas o que está à minha frente. "O que falta" é uma interpretação feita pela mente. Uma comparação.
Por exemplo, se você tem R$ 500 na sua conta, os seus olhos veem R$ 500, mas a mente escolhe ver: "faltam R$ 5.000." Se você se encontra com três amigos, os olhos veem três pessoas, mas a mente escolhe ver: "falta tal pessoa aqui".
Algumas perguntas podem nos ajudar nesse mergulho:
Quando você diz que algo está faltando, o que exatamente você está vendo?
Onde está essa falta?
Se eu tirasse uma foto da circunstância, a falta apareceria na foto?
A falta está no mundo ou no significado que a mente atribui ao que está presente?
O objetivo não é nos convencer de que não sentimos o que sentimos, mas apenas olhar para a nossa percepção e interpretação.
O pensamento "eu sou uma pessoa escassa" costuma apontar para outra coisa. Primeiro, para a identidade com a qual estou abraçada: "eu sou uma pessoa". E "escassa" não significa apenas "há poucos recursos". Significa que a mente passou a organizar sua experiência olhando prioritariamente para aquilo que não corresponde ao que ela espera ou deseja. A mente escolheu o sistema de pensamento do ego como guia.
A escassez não é ver o que falta, mas interpretar o que está presente a partir da ideia de que algo essencial falta. Para o ego, sempre vai faltar, pois essa é a sua lei.
Esse reconhecimento é importante, porque ninguém vê a falta diretamente. Vê-se o que está diante dos olhos, e a mente acrescenta uma história sobre sua insuficiência. Um significado.
Apenas o que é real pode ser verdadeiramente visto, não com os olhos físicos, mas com a Visão que vê além. A Visão real nos conduz à experiência da Presença, aqui e agora, que está além de todas as ausências aparentes.
Agora, vem comigo:
é possível experimentar a ideia de falta sem antes imaginar uma completude que deveria existir?
O pensamento de falta precisa de uma comparação. Para eu dizer "falta", antes eu fiz uma imagem do que seria "o suficiente". Sem essa imagem, talvez houvesse apenas o que é.
Eis o convite:
Como seria aceitar apenas o que é?
Como seria reconhecer que nada falta?
Ao considerar isso...Como te sentes?
Com amor,
Pri.
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